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Missa
hoje na Matriz de Nossa Senhora do Pilar de Ouro Preto marca o
centenário do nascimento Theodoro da Fonseca Vaz, ex-professor e
ex-diretor do Museu de Mineralogia da Universidade Federal de Ouro
Preto e também catedrático de Mineralogia da Escola de
Engenharia da Universidade Federal de Minas Gerais. A cerimônia
será celebrada por dom José Carlos de Lima Vaz, bispo auxiliar
do Rio de Janeiro, e padre Henrique Cláudio de Lima Vaz,
professor do CES de Belo Horizonte, filhos do homenageado.
No
final d este mês, a Escola de Minas de Ouro Preto organizará uma
exposição com seus trabalhos e publicações, que representam
contribuição notável à geologia e reconhecimento dos recursos
minerais do Estado de Minas Gerais.
Segundo
o Padre Henrique Vaz, diretor do Instituto de Estudos Superiores
Santo Inácio, o professor foi exemplo notável, em meio à
brilhante geração de professores da Escola de Minas das décadas
de 20 a 40, de consagração total à sua vocação de mestre,
pesquisador da e estudioso. Muitos dos seus alunos guardam ainda a
lembrança da sua figura a um tempo bondosa e austera, do seu
incorruptível senso de justiça, e das suas aulas memoráveis
pela clareza, pela riqueza de informação, pela ordem da exposição
e pela elegância na utilização do quadro negro para as figuras
e cálculos matemáticos.
Theodoro
Vaz era filho do médico Henrique César de Souza Vaz e Philomêna
Cândida da Fonseca Vaz. Ele nasceu em Juiz de Fora, tendo
completado seus estudos secundários na Academia do Comércio
daquela cidade, transferindo-se, ainda muito jovem, para Ouro
Preto onde fez Engenharia Civil e de Minas.
Em
1918, foi convidado a lecionar na Escola de Minas de Ouro Preto,
onde se formou, e dedicou 30 anos ao magistério e à pesquisa. A
patir e 1931, passou a ser professor da Escola de Engenharia da
UFMG, onde conquistou em concurso a cátedra de Mineralogia em
1938. Formou numerosas gerações de alunos e deixou vários
escritos sobre assuntos da sua especialidade, dispersos nos Anais
da Escola de Minas e na Revista publicada pela escola. Publicou o
livro "Determinação de Minerais", texto preferido, por
muitos anos, de professores e estudantes.
Theodoro
Vaz da Fonseca era casado com Emilia Josephina de Lima, filha do médico
ouropretano Cláudio de Lima e de Elisa Teixeira de Lima, filha do
senador Manoel Teixeira de Sousa, primeiro "Barão de
Camargos". Ao dedicar à sua memória o livro "Escritos
de Filosofia I" (São Paulo, 1986) seu filho, o professor
padre Henrique Cláudio de Lima Vaz, assim evocou a figura do pai:
"humanista e sábio,
cristão de fé profunda e esclarecida, exemplar acabado de uma
espécie mineira hoje provavelmente em extinção, modesto em meio
às riquezas do seu enorme saber, era capaz de passar dias no
gabinete de Mineralogia da Escola de Minas e no laboratório anexo
e mergulhar noite adentro, como bom conhecedor, na leitura dos clássicos.
Dele recebi, entre outras, duas lições preciosas: a do respeito
pela verdade e a da dignidade da vida intelectual".
O
professor Theodoro Vaz morreu em 25 de Fevereiro de 1955, deixando
seu nome assinalado nos anais do magistério superior e da
atividade científica em Minas Gerais.
*Artigo
publicado no jornal Estado de Minas.
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