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Ouro
Preto
Em
um artigo no qual recordava sua permanência na biblioteca do avó materno, na casa
colonial onde nascera, Pe. Henrique Vaz escreve da seguinte forma:
«(...)
Meu avô residia no grande casarão colonial da Rua das Cabeças,
número 4. Nele nasci e vivi minha infância e nele passei,
adolescente, as férias de verão.
Com
infinita saudade, revejo intacta na memória aquela moradia amável
do saber. As altas janelas que se abriam para a sonolenta Rua das
Cabeças e por onde entrava alegre o sol da manhã. (...)»

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Casa
das Cabeças - desenho
Teodoro Magni
O
belíssimo soneto que reproduzimos abaixo, escrito em 23.09.1963
pelo Pe. Henrique Cláudio de Lima Vaz, é dedicado à sua mãe.
Recorda a infância, a casa colonial de Ouro Preto e também Naná, a irmã
mais velha que faleceu em 25.11.1941:
À
Mamãe
Quero
a manhã de sol da minha infância,
Quero o profundo vale, a casa e o muro,
As velhas torres brancas no céu puro
E quero os montes vagos na distância...
Quero o jogo da sombra, o dia lento
E a paineira que nos viu sonhando,
A conversa das folhas e do vento
E tua voz dulcíssima me chamando
Quero a névoa da tarde, o antigo sino,
A noite e seus mistérios, e o menino
Lendo a história de um Rei e doze pares...
Quero Naná cantando um canto lindo,
Quando retorno, ó lar, com amor infindo
Para rezar de novo em teus altares!
Belo
Horizonte
No
início dos anos 1930, o pai de Henrique Vaz, Professor Theodoro Vaz, mudou-se
com a família de Ouro Preto para Belo Horizonte e passou a
lecionar na Escola de Engenharia da UFMG. Adquiriu a casa que
então pertencia a Carlos Fernandes Góes, na rua
Ceará 1118. Era um belo e pitoresco exemplar de bangalô, datado
de 1912. O estilo
arquitetônico vinculado ao ecletismo, era típico da arquitetura
erigida nos primeiros decênios da nova capital mineira.

O
projeto acima e a foto abaixo referem-se à casa da rua Ceará 1118, em sua configuração primitiva, como encontrava-se no período em que Henrique Vaz ali
residiu, ou seja, em parte de sua adolescência.

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Pouco
tempo depois, o Prof. Theodoro Vaz decide por uma
grande reforma e ampliação da casa, sendo registrado, em
1934, o alvará na prefeitura. Em 13-10-1939 iniciam-se as
obras que serão concluídas em 02-04-1940, resultando em remodelação das fachadas, ampliação e construção de garagem
e porão, além de novo telhado, passando a edificação a adquirir uma nova feição eclética
neocolonial, mais ao gosto da época.
Abaixo,
vê-se a reprodução dos projetos. No primeiro desenho,
destaca-se a modificação e ampliação da planta. Nota-se ainda os cortes da parte de copa, cozinha e
depósitos e trecho da fachada lateral, voltada para a Rua dos
Aimorés. A reforma foi executada com pequena variação em relação a
este projeto, verificando-se, por exemplo, a não construção de porta
para o exterior, na copa. O segundo desenho, reproduzido abaixo,
refere-se à construção da garagem e obras nas fachadas e
intitulava-se: "PROJETO DE REMODELAÇÃO DA FACHADA E DE UMA GARAGE
PARA O EXmo SR. DR. THEODORO VAZ". A
obra foi executada pela empresa construtora Alcindo da
Silva Vieira & Cia. Ltda, mas não se encontrou registro da
autoria do projeto arquitetônico.
Contudo,
por ocasião das reformas Henrique Vaz não mais morava com a família na casa e já
se encontrava no seminário
em Nova Friburgo, entretido nos estudos de teologia. Em meados
dos anos 60, a família vende o imóvel que continua a ter uso
residencial até sofrer nova adaptação nos anos 70/80 para ser
usado como restaurante e casa de apresentações. No entanto,
desta última intervenção não foram encontrados registros de
projetos no arquivo do município. Nota-se que atualmente (2000) as
fachadas da edificação encontram-se encobertas por grande muro frontal
e descaracterizadas com a construção
de anexos nos afastamentos frontal e lateral. No entanto, a casa
pode voltar a seu aspecto anterior às mudanças e atualmente é
protegida pelo órgão municipal dedicado ao patrimônio cultural
do município, tendo o Conselho Deliberativo do Patrimônio
Cultural de Belo Horizonte listado a casa no segundo grau de
proteção, o que significa que deverá ser objeto de um registro
documental com histórico e levantamentos arquitetônico e
fotográfico.


Abaixo, tem-se a foto realizada pela Construtora Alcindo Vieira Ltda,
quando das obras de readequação, na primeira
intervenção.
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Nota:
Os projetos são reprodução dos pertencentes à Prefeitura de Belo Horizonte
e fotos são de arquivo pessoal.
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