Padre Henrique Cláudio de Lima Vaz S.J.

 

Que dom de Deus,
o padre Vaz
Pe. Paschoal Rangel

 

 

Numa época em que ainda a grande figura filosófica da Igreja no Brasil era o Pe. Leonel Franca, S.J., tive a sorte de tomar conhecimento do jovem professor em formação

Padre Vaz (ou, mais completamente, Henrique Cláudio de Lima Vaz) completou em agosto 80 anos. Recebeu festas e comemorações merecidíssimas dos irmãos da Vida Religiosa, de amigos, alunos e ex-alunos importantes hoje na vida intelectual brasileira. Agora, dia 8 de novembro, a Assembléia Legislativa de Minas Gerais quis também prestar-lhe uma homenagem especial. Ele tem direito a isso e a muito mais. Acredito que não existe hoje no Brasil nenhuma cabeça filosófica mais bem feita (no sentido que os franceses, desde Montaigne, dão à frase "une tête bien faite"), ou, como traduziu Sérgio Milliet, mais bem formada. Pe. Vaz não é apenas um erudito; é um sábio. Ele conhece muita coisa, sem dúvida; anda permanentemente (e admiravelmente) bem informado. Mas sabe organizar as idéias, domina-as, põe-nas no lugar certo.

Numa época em que ainda a grande figura filosófica da Igreja no Brasil era o Pe. Leonel Franca, S.J., tive a sorte de tomar conhecimento do jovem professor em formação, Henrique Cláudio de Lima Vaz, quando, de Nova Friburgo (RJ), colaborava na revista "Verbum", da Universidade Católica do Rio de Janeiro e publicava resenhas e críticas de livros de filosofia. Lembro-me de, nessa época, ter lido, dele, a apreciação de três livros sobre Blondel: um, de Paul Archambault, Initiation à la philosophie blondélienne en forme de court traité de métaphysique; outro, uma seleção comentada e prefaciada por Yves De Montcheuil, com o título Pages religieuses, do próprio Maurice Blondel; e um estudo de Blaise Romeyer, S.J., La philosophie religieuse de Maurice Blondel. Fiquei fascinado pela acribia do jovem filósofo jesuíta e eu, também jovem estudioso e professor de História da Filosofia no interior de Minas, acabei comprando os três volumes, que me vieram acompanhando a vida inteira. De vez em quando, ainda volto a eles. Acho que nasceu aí uma amizade, que, no começo, esconsa, só para mim mesmo, foi-se fazendo recíproca e se manifestando. E, depois que vim para Belo Horizonte, se tornou mais forte, não obstante seja ainda de minha parte, um tanto cerimoniosa. Mas venho acompanhando, há mais de 50 anos, a caminhada do Pe. Vaz.

Gostaria de dizer para o mundo inteiro quanto sua obra e sua vida de filósofo é importante. Não vai ser possível num espaço deste dizer nada. Espero, no próximo ano, ter algum tempo para escrever algo mais sério sobre a contribuição dele para a filosofia do nosso tempo. Minha intenção é trazê-lo para a nossa revista ATUALIZAÇÃO. Apenas será necessário libertar-me de certos compromissos talvez menos essenciais, porém mais imediatos.

Por sorte da filosofia no Brasil, as Edições Loyola (São Paulo) vêm publicando sistematicamente a obra do Pe. Vaz, que andava espalhada em revistas daqui e dali. Dispomos hoje de seis volumes de "Escritos de Filosofia"; de outros dois de "Antropologia Filosófica" e de um pequeno volume sobre "Experiência Mística na Filosofia e na Tradição Ocidental". Ainda há muito o que publicar ou reeditar. Esperamos que isto se faça o mais rapidamente possível.

Por essas coisas todas, Pe. Vaz, nossos parabéns pelos seus 80 anos de vida. Parabéns pelo seu magistério. Parabéns pela obra notável que o Sr. deixa para nós, seus amigos, admiradores e sempre discípulos. Que dom de Deus tê-lo entre nós!

*Artigo publicado no Jornal O Lutador 21 a 30 de novembro de 2001

voltar

Teodoro Magni - maio de 2002